Gestão, Tecnologia e o Legado que Fica Depois da Sua Gestão
Meu caro, minha cara, vamos ser sinceros?
A sindicatura no Brasil nunca foi um sonho de criança. Ninguém cresceu dizendo “quando eu crescer quero ser síndico”. Está aí nosso maior desafio e também nossa maior oportunidade.
Cá entre nós, precisamos mudar nossa percepção e nossa fala. Virar a chave. Problemas não mais, mas oportunidades. Já começa aí a mudança para uma gestão de propósito e legado, na sua fala e na sua mudança de postura ao enxergar o que a vida tem proporcionado.
E como tudo começou?
Lá atrás, no Código Civil de 1916, o síndico era só “aquele que cuida”. Na prática, meu caro e minha cara, era quem tinha mais tempo livre. O aposentado do apartamento ao lado, a moradora que estava sempre em casa.
Sem salário, sem curso, sem ferramenta. Era na boa vontade, no caderninho e naquela assembleia que não acabava nunca. Isso funcionava quando o condomínio era um prédio de 20 famílias.
Hoje, um condomínio mediano aqui em Campo Grande ou em São Paulo movimenta de 80 mil a 500 mil reais por mês, fácil, fácil. É uma empresa.
Contudo, mediante relatos e conexões, constatamos algumas gestões marcadas por amadorismo ou definidas como arcaicas. Escutamos muito ainda que o mercado condominial é carente de performance de excelência, que seus gestores são fracos e que não tem qualificação para gerir patrimônios e pessoas.
E como é que a maioria cai nisso? De paraquedas.
Você conhece essa história: Ninguém quer assumir na assembleia. Fica aquele silêncio. Aí você, para ajudar, levanta a mão. No dia seguinte seu celular tem 50 mensagens, o porteiro entrou com uma ação trabalhista e estourou um cano na cobertura.
É aí que identificamos o síndico paraquedas. Entra sem plano de gestão, sem contrato, sem nem CNPJ. E quando sai, meus caros, deixa um rastro de dor de cabeça e um condomínio que vale menos do que quando ele entrou.
Foi por isso que a sindicatura profissional precisou nascer.
O momento de hoje? Muita incerteza.
E eu preciso te falar a verdade, sem rodeio. Hoje ser síndico profissional é navegar num Brasil incerto:
1. Reforma Tributária: Como fica a nossa nota, meu caro? Nosso CNAE, nosso ISS? Quem não se organizar agora vai ver a margem que era de 30% virar 10% amanhã.
2. Trabalhista e previdenciária: eSocial, SST, NR-38. Um errinho na escala do zelador e o condomínio toma uma ação de R$ 50 mil. E adivinha quem responde? A gente.
3. O morador: Tá mais exigente, mais inadimplente e querendo pagar menos.
Nesse cenário, quem só apaga incêndio não fica de pé. O mercado já separou: de um lado o despachante de boleto, o gestor de contas a pagar, do outro o gestor de patrimônio, o gestor de recursos. Você escolhe onde quer estar.
Agora, meus caros, e o futuro? Automação e tecnologia.
O futuro já chegou, e não tem volta: portaria remota, assembleia online, manutenção que avisa antes de quebrar, cobrança que prevê quem vai atrasar.
Em 3 anos, a tecnologia vai cortar 40% do custo do condomínio. Ótimo para o morador. Péssimo para o síndico que achava que seu valor era “ficar o dia todo no prédio”.
Se todo mundo vai ter a mesma tecnologia, o que vai te diferenciar?
A única certeza que a gente tem é o plano de gestão com propósito de legado.
Tecnologia, meu caro, qualquer um compra. Legado, não.
É a pergunta que eu sempre faço nos meus treinamentos: quando você sair desse condomínio daqui 2 anos, o que vai ficar de você?
Se a resposta for “deixei as contas em dia”, você é substituível.
Agora, se a resposta for: “Deixei o patrimônio valorizado. Deixei um conselho treinado que continua sem mim. Deixei uma comunidade mais segura, mais humana.” Aí, você construiu legado. E síndico que constrói legado não discute preço. Ele escolhe condomínio.
Por isso eu sempre digo: o futuro da sindicatura no Brasil não é sobre o que você tem que fazer hoje. É sobre o que vão lembrar da sua gestão daqui a 10 anos.
Para isso, meu caro, só com plano de gestão. Com propósito. Com começo, meio e fim.
Em meus cursos, mentorias e palestras, falo muito disso, gestão de propósito e foco no legado, independente se a gestão condominial surgiu para você mediante o paraquedas, ou se hoje você se intitula profissional, independente se você está em um grande centro ou região geográfica, ou se você está nos confins desse nosso lindo Brasil, a pergunta que deixo é: Se não agora, quando?
O não de hoje será o sim de amanhã.
Sucesso e Legado.
Por PH (Paulo Henrique) / Magic Leader / Diretor de Administradora e da PH Hub de Líderes e Lideranças / Mentor / Professor / Palestrante

